O festival de música Victorious, realizado em Portsmouth, Reino Unido, passou por uma polêmica significativa quando vários artistas decidiram boicotar o evento após a censura sofrida pelo grupo folk irlandês The Mary Wallopers. Durante a apresentação da banda, um dos membros subiu ao palco com uma bandeira palestina, o que levou a uma intervenção da equipe do festival que cortou o som e removeu a bandeira, gerando um protesto imediato com o frontman Charles Hendy liderando o público em cânticos de "Free Palestine".
O incidente ocorreu na sexta-feira, dia 22 de agosto de 2025, e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, com o vídeo do momento viralizando e gerando reações intensas. O grupo The Mary Wallopers declarou rejeitar a versão oficial do festival, que alegou ter cortado o som por causa de um canto discriminatório, e afirmou que a ação foi uma tentativa de silenciar o apoio à causa palestina em um momento crítico, quando Gaza enfrenta uma fome declarada pela autoridade mundial em crises alimentares.
Em solidariedade ao The Mary Wallopers, as bandas The Last Dinner Party, Cliffords e The Academic anunciaram que não iriam mais se apresentar no festival. The Last Dinner Party expressou sua indignação em comunicado, afirmando que não poderiam apoiar a censura política e destacando a urgência de usar plataformas artísticas para chamar atenção à situação humanitária em Gaza, que passa por um genocídio e fome provocados por anos de conflito e bloqueios.
Os organizadores do Victorious Festival emitiram um pedido de desculpas público e reconheceram que não explicaram suas políticas com a sensibilidade necessária, comprometendo-se a doar uma quantia significativa para esforços humanitários em prol do povo palestino. Ainda assim, o episódio gerou um debate intenso sobre liberdade de expressão, responsabilidade social dos artistas e o papel dos festivais de música em temas políticos.
O festival, que atrai anualmente mais de 80 mil fãs, teve sua imagem abalada pela controvérsia, que trouxe à tona a tensão entre manter um ambiente "apolítico" e o direito dos artistas de manifestarem suas opiniões sobre crises globais urgentes. O caso do Victorious Festival é um exemplo recente da crescente intersecção entre arte, política e ativismo social no cenário musical contemporâneo.