O cinema brasileiro vive um momento de contrastes gritantes em 2026. De um lado, sucessos internacionais como Ainda Estou Aqui, que conquistou o Oscar e o Globo de Ouro com Fernanda Torres brilhando no papel principal, colocam o país no mapa global. Do outro, os números domésticos são preocupantes: queda de público e bilheteria que preocupam exibidores e produtores. Apesar da visibilidade externa, o público nas salas de cinema do Brasil encolheu, e especialistas debatem as razões e soluções para esse descompasso.
Os dados são claros e implacáveis. Em 2025, filmes nacionais atraíram 11.938.022 espectadores, uma queda de 11,6% em relação aos 13.508.206 de 2024. A bilheteria seguiu o mesmo caminho, somando R$ 228.504.879 — 13,8% menos que os R$ 265.176.652 do ano anterior. Esses números, levantados pelo Filme B, mostram que a participação dos filmes brasileiros no total de público se manteve em torno de 10,3%, mas o mercado como um todo retraiu: de 128 milhões de ingressos em 2024 para 115,6 milhões em 2025, uma redução de 9,7%.[1][3]
Começando 2026, o cenário não anima. Nas primeiras duas semanas do ano, a Ancine registra 5,63 milhões de espectadores e R$ 123,52 milhões em bilheteria, puxados por blockbusters hollywoodianos como Avatar: Fogo e Cinzas, Zootopia 2 e Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada. Filmes nacionais lutam por espaço em meio a essa dominância estrangeira.[3]
Mas por que o público brasileiro foge das salas nacionais? Analistas apontam o alto preço dos ingressos, variando de R$ 25 a R$ 50, como um fator crucial, somado a questões culturais e políticas que afastam as famílias. A comédia nacional ainda resiste, com apostas em Agente Secreto, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Feito Pipa, pré-indicado ao Oscar e visto como potencial fenômeno em 2026.[2]
Especialistas como os entrevistados no Filme B enfatizam a necessidade de mais espaço para exibições nacionais. 'Nosso cinema vai se fortalecer na medida em que a gente tiver realmente espaço para exibi-lo dentro do Brasil', alerta um deles, destacando que sucessos pontuais como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto e O Último Azul são vitrines internacionais, mas insuficientes sem base doméstica.[1]
Olhando para o futuro, há otimismo cauteloso. Um estudo da PwC projeta que o cinema brasileiro pode alcançar R$ 3,6 bilhões em bilheteria até 2029, impulsionado por produções com alcance global. O Brasil já recuperou 70% do público pré-pandemia em 2024, superando EUA e México, e 2025 manteve 112,5 milhões de espectadores totais.[3][4] No entanto, para fãs brasileiros, o debate é urgente: como transformar prêmios em plateia lotada?
Em 2026, eventos como festivais e novas leis de incentivo podem virar o jogo. Filmes como Agente Secreto são apostas quentes, e o público clama por mais narrativas locais que ressoem com a realidade brasileira — das comédias leves às dramas potentes. O cinema nacional precisa reconquistar as salas para brilhar de verdade, dentro e fora do país.