Grande Rio em 8º lugar: Virginia Fonseca, vaias e polêmicas que dividiram o Carnaval 2026
O Carnaval 2026 do Rio de Janeiro ficará marcado não apenas pelas apresentações das escolas de samba, mas também pelas controvérsias que tomaram conta das redes sociais e dos bastidores da Sapucaí. A Grande Rio, que havia conquistado seu primeiro título no Grupo Especial em 2022 e vivenciava uma fase de ascensão, surpreendeu negativamente ao terminar em 8º lugar — o pior resultado dos últimos seis anos. A escolha de Virginia Fonseca como rainha de bateria se tornou o epicentro de uma série de polêmicas que revelaram as tensões entre tradição carnavalesca e modernidade digital.
Com o enredo "A Nação do Mangue", uma homenagem ao movimento Manguebeat, à cultura pernambucana e à obra de Chico Science, a escola de Duque de Caxias apresentava uma proposta cultural forte que prometia levar para a Sapucaí referências à resistência cultural nordestina, ao maracatu e aos manguezais como símbolo de força e renovação. No entanto, a decisão de colocar a influenciadora digital como rainha de bateria gerou imediatamente questionamentos sobre a ligação dela com o universo do samba e com a própria comunidade da escola.
Vaias na Sapucaí e a Reação de Virginia
Ainda antes do desfile começar, Virginia Fonseca realizou uma live com seus seguidores para falar sobre a expectativa do momento. A ação gerou desconforto com o presidente da Grande Rio, Jayder Soares, que temeu que o assédio dos fãs pudesse atrasar o cronograma do desfile. Durante a apresentação, quando um integrante da Liesa leu a ficha técnica da escola no Setor 1 da Sapucaí, parte do público reagiu com vaias ao ouvir o nome da influenciadora anunciado como rainha de bateria.
Questionada sobre o episódio após o desfile, Virginia manteve a compostura e minimizou o impacto emocional: "Eu cheguei a ouvir, mas não me impactou porque não é sobre mim, é sobre eles, então tá tudo bem, tá tudo tranquilo". A resposta refletia a tentativa de deslocar o foco das críticas e manter o profissionalismo durante a apuração.
Problemas Técnicos e Constrangimentos no Desfile
Se as vaias já representavam um desafio emocional, Virginia enfrentou também problemas técnicos que comprometeram sua apresentação. O volumoso costeiro de 12 quilogramas que a rainha usava foi retirado várias vezes durante o desfile devido a dores, e o tapa-sexo descolou parcialmente em um momento constrangedor que exigiu que ela sambasse com mais cuidado para evitar maiores exposições. Ao final do desfile, Virginia terminou sua apresentação sem parte do costeiro.
Durante a apuração, Virginia explicou que a retirada do acessório já estava programada e autorizada. "Já estava programado de a gente tirar o costeiro maior, por conta do led e pra mostrar um pouco da fantasia do body. O presidente Jayder concordou. Primeira vez nunca é perfeita, sempre dá um frio na barriga. Mas fui muito feliz, gostei bastante e ano que vem tem mais, se Deus quiser", revelou a influenciadora, tentando contextualizar os problemas técnicos como parte de uma estratégia previamente acordada.
O jurado Paulo Paradela, conhecido como o "mais carrasco" do carnaval 2026, conferiu à Grande Rio apenas 9,8 no quesito fantasias — a nota mais baixa que a escola recebeu nessa categoria. Paradela foi o avaliador que menos concedeu notas 10, com uma média de 9,89 em suas avaliações. A escola que homenageou o presidente Lula, a Acadêmicos de Niterói, recebeu dele a nota ainda mais baixa de 9,6, contribuindo para seu rebaixamento.
Divisão de Opiniões nas Redes Sociais
As redes sociais se dividiram entre defensores e críticos da escolha de Virginia Fonseca. Internautas questionavam a ligação da influenciadora com o universo do samba e com a comunidade da Grande Rio, argumentando que a decisão teria priorizado visibilidade digital e alcance em detrimento da tradição carnavalesca. Comentários apontavam para uma possível mercantilização do Carnaval, transformando o evento em plataforma de promoção pessoal.
Por outro lado, defensores da escola argumentavam que o Carnaval também dialoga com novas linguagens e públicos, e que a presença de uma personalidade com grande engajamento digital poderia ampliar o alcance da Grande Rio nacionalmente, trazendo novos espectadores para a celebração tradicional.
O Contexto Maior: Tradição versus Modernidade
O caso de Virginia Fonseca exemplifica uma tensão maior que permeia o Carnaval contemporâneo: até que ponto as escolas de samba podem incorporar personalidades do universo digital e da mídia sem comprometer sua essência cultural? A Grande Rio, que havia conquistado seu primeiro título em 2022 após uma trajetória de ascensão, viu seu desempenho despencar para o 8º lugar — uma queda significativa que levanta questões sobre se a escolha da rainha de bateria contribuiu para o resultado insatisfatório.
O Carnaval 2026 ficará registrado como um momento de inflexão para a Grande Rio, onde a aposta em uma figura de grande alcance digital não resultou no impacto positivo esperado. Enquanto Virginia Fonseca mantém otimismo sobre futuras participações, a escola e sua comunidade enfrentam o desafio de repensar suas estratégias para recuperar a competitividade que a caracterizou nos anos anteriores.