É oficial: Wagner Moura acabou de entrar para os livros de história do cinema brasileiro. Pela primeira vez, um ator do Brasil disputa o Oscar na categoria **Melhor Ator** por seu papel principal em O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. A indicação foi anunciada na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, para a 98ª edição dos Academy Awards, marcada para 15 de março. Se vencer, Moura será o primeiro brasileiro a levar a estatueta em uma categoria de atuação[1][2].
O filme, lançado nos cinemas brasileiros em 6 de novembro de 2025 pela Vitrine Filmes, já é um fenômeno. Moura interpreta Armando, um ex-professor que se vê forçado a se esconder para proteger o filho pequeno durante a ditadura militar brasileira nos anos 1970. A trama mistura tensão política, suspense e um retrato visceral do Brasil autoritário, ecoando temas atuais que ressoam forte com o público nacional[1][2].
Essa não é a primeira vitória de Moura na temporada de premiações. Em janeiro de 2026, ele levou o **Golden Globe de Melhor Ator em Filme de Drama**, tornando-se o primeiro homem brasileiro a conquistar o prêmio. Na cerimônia, Moura dedicou a vitória à memória e à luta contra o esquecimento geracional, emocionando plateias ao redor do mundo. "O Agente Secreto é um filme sobre memória ou a falta dela", disse ele em seu discurso[5]. Antes disso, o longa brilhou em Cannes 2025, onde Moura ganhou o prêmio de Melhor Ator – o primeiro brasileiro a consegui-lo – e Kleber levou o de Melhor Diretor[2].
Para os fãs brasileiros, que viram Moura explodir globalmente com Narcos e impressionar em Civil War, esse é o ápice de uma carreira brilhante. Após mais de uma década sem papéis em produções nacionais – culpa da pandemia, compromissos internacionais e o governo Bolsonaro –, O Agente Secreto marca o retorno às raízes. "É uma volta para casa cinematográfica", contou Moura à LA Times[1]. O filme compete em mais três categorias no Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco, totalizando quatro indicações para o Brasil – um feito inédito[2][4].
A trama se passa em Recife durante o Carnaval de 1977, onde Armando (ou Marcelo, em algumas sinopses do trailer) chega como viúvo e pesquisador de tecnologia, virando alvo de assassinos mercenaries em meio ao caos da ditadura. Com um elenco estelar incluindo Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Hermila Guedes e até Udo Kier em seu último papel, o filme rendeu 13 minutos de ovação em Cannes e prêmios como o FIPRESCI e Art House Cinema Award[2][3]. No Brasil, estreou com críticas efusivas e bilheteria sólida, provando que cinema nacional de qualidade conquista plateias aqui e lá fora.
O que torna essa indicação tão especial para nós, brasileiros? É o reconhecimento de uma história nossa, contada com maestria por dois gigantes do cinema pernambucano. Kleber Mendonça Filho, de Bacurau e Aquarius, entrega um thriller imprevisível que homenageia clássicos do cinema enquanto critica autoritarismos passados e presentes. Moura, por sua vez, entrega uma performance "excepcionalmente complexa", segundo críticos, misturando vulnerabilidade paternal com fúria resistente[1].
Enquanto Sinners lidera com 16 indicações, O Agente Secreto surge como azarão poderoso, impulsionado pelo Globo de Ouro e buzz de Cannes. Moura, que já disse não querer ser "o Che Guevara do cinema", prova que política e arte andam juntas em sua trajetória. Para os brasileiros, é torcida unânime: que 15 de março traga a estatueta para casa. A campanha está só começando, e o mundo está de olho no Brasil[1].
Nos próximos meses, espere red carpets lotados, entrevistas exclusivas e análises sobre como esse marco pode abrir portas para mais talentos nacionais. Wagner Moura não é só um concorrente; ele é o orgulho de uma nação que ama cinema.